sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Saúde é contagiante

Já passou pela sua cabeça que o fato de ter uma amiga gordinha aumenta a sua probabilidade de desencadear a obesidade? Seria muito cômodo culpar os outros por uma responsabilidade que é nossa, não acha?

por Lucilia Diniz

Outro dia, lá estava eu conectada à internet quando, na página de abertura de um grande portal, li uma chamada de gelar a espinha: “A obesidade é contagiosa” – Estudo revela que quem tem amigos com excesso marcante de gordura corre mais risco de desenvolver obesidade. A fonte era o prestigioso New England Journal of Medicine.

Achei aquilo um absurdo! Não faz muito tempo que outro grupo de cientistas tentou jogar a responsabilidade pelo aquecimento global nas costas dos obesos, lembram-se? E agora mais essa?

Mas, como pesquisadora, procurei ler os resultados do estudo de maneira imparcial. Sei que as estatísticas não mentem. O problema geralmente está na interpretação que se faz delas. E alguma coisa me dizia que esse era o caso.

Bem, mas como vocês devem ter acompanhado, investigadores das universidades de Harvard e da Califórnia, nos Estados Unidos, estudaram detalhadamente, durante 32 anos, os hábitos de convivência social de 12.063 habitantes de uma cidadezinha chamada Framinghram, em Massachusetts - EUA. E chegaram às seguintes conclusões:

◗ Se alguém de sua família engorda – principalmente um irmão ou uma irmã – você tem 40% de chance de engordar também.
◗ Se uma amiga sua engorda, as possibilidades de você ir pelo mesmo caminho aumentam para 57%. Mesmo se ela morar a 800 quilômetros de distância da sua casa.

◗ E é bom que essa amiga não seja muito especial para você, porque, se for esse o caso, a chance de você ter excesso de peso subirá para 71%.
◗ Agora, o pior. Se você engordar, sabe qual a chance do seu marido acompanhá-la balança acima? Apenas 37% (canalhas...)!

Quando li esses dados, claro que fiquei espantada. Porém, espanto maior foi ter visto as conclusões dos pesquisadores. Para eles, a obesidade deve ser vista como uma doença contagiosa, uma vez que os amigos influenciam mais no ganho de peso do que aspectos genéticos. Isso porque (também na opinião deles) o fato de os amigos engordarem faz com que o mal se torne mais aceitável. Tudo deixando subentendido que uma das maneiras de evitar ganho de peso é cortando relações com amigos obesos. Que horror!

Pessoalmente, posso até concordar que a obesidade é uma doença. Mas, se for contagiosa, certamente os “agentes transmissores” não são pessoas queridas. É muito cômodo responsabilizar o outro por aquilo que acontece na nossa vida. Se eu tivesse me afastado de quem está acima do peso, não estaria hoje escrevendo para vocês. Faço isso porque acredito que podemos ajudar nossos amigos, oferecendo informações e propondo maneiras menos calóricas de curtir uma amizade.

Curiosamente, o lado otimista dessa pesquisa quase não foi mencionado nos textos: o fato dessas estatísticas funcionarem como uma mão dupla. Ou seja, se você emagrece, as chances das suas amigas fazerem o mesmo também cresce.Pessoalmente, tenho muito orgulho de ter inspirado tantas pessoas a perderem peso. Falo tanto daquelas que estão mais próximas de mim, como das leitoras que me escrevem.

Prova de que a vida saudável, sim, é algo contagiante.

2 comentários:

Andréia disse...

Oi!
Parabéns atrasado!
E parabéns pelos 14 kgs perdidos!
Bjokas***

Débora disse...

Oi... estava passando pela net e achei seu blog e adorei....parabéns é a gente na luta né...qdo der visite meu blog...bjs